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mai 03, 2018
Inovação e tecnologia

“Tinder da reciclagem” ganha prêmio de inovação em Paris

Um revolucionário aplicativo brasileiro fez sucesso em Paris. O Cataki, autoproclamado o “Tinder da reciclagem”, coloca em contato pessoas com lixo para descartar e um dos 800.000 catadores que trabalham no Brasil e foi apresentado ao mundo durante a Netexplo Innovation Award 2018. O sistema funciona de forma simples: as pessoas postam quando têm material reciclável que pode ser coletado, e os catadores escolhem quais são os materiais que interessam a eles.

Catadores coletam aproximadamente 90% do material reciclado no Brasil e vivem da venda desse material. Um quilo de papel ou plástico vale em torno de 20 centavos. Já vidro vale aproximadamente 5 centavos por quilo.

“Estamos lutando pelo reconhecimento dos catadores, que são verdadeiros agentes em prol do meio-ambiente”, afirma o artista de grafitti e ativista Mundano, criador do Cataki. “O aplicativo é uma alternativa para aumentar a renda dos catadores – além de trazer inúmeros benefícios ambientais”.
Desde o lançamento, em julho de 2017, mais de mil domicílios e 300 catadores em todo o Brasil aderiram ao Cataki. Em updates futuros da plataforma, os usuários vão poder publicar fotos do lixo a ser recolhido – e os catadores vão poder deslizar para esquerda os materiais pelos quais não estiverem interessados, e para direita aqueles que eles querem recolher. Igual ao Tinder.

O aplicativo custou 160.000 reais para ser desenvolvido, e é apoiado pela ONG Pimp My Carroça, que luta pelos direitos dos catadores de lixo por meio de ações que estimulem a auto-estima deles e que aumentem a consciência da sociedade sobre esses trabalhadores.

A ideia para o Cataki veio do contato de Mundano com os catadroes. “Muita gente me pede recomendações sobre coleta de lixo reciclável”, ele diz. “Dessa demanda, eu tive a ideia de criar uma plataforma para facilitar o ‘match’ entre catadores e quem precisa dos serviços deles”.

Netexplo (antes chamada de Netexplorateur) é um observatório independente de tecnologia digital sediado em Paris, que estuda, desde 2007, o impacto da tecnologia em uma sociedade cada vez mais digital. Todo ano, a organização seleciona, em parceria com a Unesco, dez projetos inovadores – em um universo de 2.000 candidatos. Este ano, o Cataki figurou entre os vendedores, que foram anunciados na sede mundial da Unesco, em Paris.

De acordo com Marcus Goddard, diretor do Netexplo, o Cataki representa o uso efetivo da tecnologia em amplo alcance. “É um aplicado muito simples para conectar pessoas, e é socialmente relevante como forma de integrar diferentes classes”, ele comentou à imprensa.
“O trabalho dos catadores faz parte de uma economia paralela que garante a reciclagem de milhares de toneladas no Brasil”, continua Goddard. “Apesar de serem essenciais, os catadores não recebem ainda o reconhecimento que merecem”.