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fev 16, 2017
Inovação e tecnologia

Startup brasileira colhe células-tronco a partir de dentes de leite

Quem poderia imaginar que a fada do leite pode ser, na verdade, um cientista que trabalha com células-tronco? José Ricardo Muniz Ferreira, um dentista e cientista brasileiro de 48 anos, desenvolveu uma forma de coletar até 7 milhões de células-tronco a partir de um único dente de leite.

Ferreira criou uma startup, a R-Crio, que armazena células-tronco que podem ser usadas caso a criança precise de tratamento médico no futuro. Quando um dentinho de leite fica mole, a criança deve ir a um dentista credenciado para a coleta. A R-Crio trabalha com mais de 2 mil dentistas, que podem extrair o dente de leite preservando seu potencial para a coleta de células-tronco. 

Dentes que caíram sozinhos, ou que foram extraídos de outra forma, não são aceitos em função do alto potencial de contaminação. No entanto, apenas um dente já é suficiente para a coleta – os demais podem ir para a fada do dente.

Após extraído, o dente tem 48 horas para chegar aos laboratórios da R-Crio, em Campinas. É quando os cientistas da empresa extraem as células-tronco da polpa do dente. A R-Crio armazena as células por tempo indeterminado.

Células-tronco podem ajudar na regeneração de músculos, ossos, órgãos como pâncreas e fígado, além de fibras pulmonares, tecidos nervosos e cardíacos. Tratamentos com células-tronco podem, no futuro, ajudar a curar doenças então consideradas incuráveis, como diabetes, Alzheimer e autismo. A aplicação se estende a acidentes do dia a dia, como queimaduras e fraturas.

Tais tratamentos são cada vez mais eficientes e acessíveis – e são cada vez mais essenciais à medicina moderna.

O método de armazenamento da R-Crio também revolucionou o campo de pesquisa em células-tronco. Antes, elas eram extraídas do sangue no cordão umbilical. Contudo, esse método oferece apenas uma oportunidade de coleta. Além disso, as células colhidas têm uso limitado à células sanguíneas e não podem ser multiplicadas.

Os dentes de leite, no entanto, oferecem 20 oportunidades de coleta – e, nesse caso, as células podem se multiplicar e se transformar em diversos tipos de células.

Ferreira, o fundador da R-Crio, estudou odontologia na Universidade Federal do Espírito Santo – onde também deu aula. Durante 20 anos, Ferreira atuou como dentista em Vitória. Enquanto estudava medicina regenerativa, descobriu o potencial de dentes de leite para o campo das células-tronco.

Ferreira também contou com dois sócios: a pesquisadora Maria Rita Bueno e o biólogo especializado em genética Roberto Fanganiello. Juntos, eles desenharam o processo de coleta de células-tronco. Em 2013, eles patentearam o projeto.

Hoje, o serviço oferecido pela R-Crio – desde a coleta até o armazenamento – custa entre 2.980 e 6.980 reais. Os sócios investiram mais de 20 milhões de reais para erguer e manter os laboratórios da empresa. O retorno é promissor, e a R-Crio estimou para 2016 um faturamento de 9 milhões de reais.