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jan 05, 2018
Alimentos e bebidas

O Brasil no centro do mundo do chocolate

Em 2018, o mundo vai consumir mais chocolate do que nunca – as estimativas apontam para um total de 7,7 milhões de toneladas. E o Brasil, um dos maiores produtores de cacau do mundo, vai sediar o Encontro de Parcerias da Fundação Mundial do Cacau (WCF). A entidade congrega mais de 100 membros, que representam cerca de 80% do mercado mundial de cacau.

No evento, os líderes da indústria chocolateira de todo o mundo vão discutir novas formas criar parcerias público-privadas para criar iniciativas que reduzam custos e que sejam ambientalmente responsáveis. E faz todo o sentido que essas conversas aconteçam no Brasil.

“O Brasil é um dos únicos países do mundo que concentra toda a cadeia de produção do cacau. Somos, também, uma referência global em cadeias agrícolas. O encontro permitirá que o país mostre ao mundo seu potencial e ajude outros países”, afirma Pedro Ronca, representante da WCF no Brasil. Ronca menciona ainda que sediar o encontro é prova do reconhecimento que a indústria de chocolates brasileira goza no mundo todo.

Produtor de ponta, o Brasil aumentou a colheita em 28% em 2017, uma ótima recuperação. Em 2016, parte da produção foi perdida em função das secas no nordeste, especialmente na Bahia. O país será incluído no CocoaAction Program, uma iniciativa da WCF para implementar estratégias que alinham empresas, governos, e atores-chave para aumentar a sustentabilidade da produção de cacau. Isso deve melhorar ainda mais os resultados, uma vez que os produtores terão técnicas ainda mais modernas de controle da produção, além de beneficiar de financiamentos internacionais.

Uma vez que a demanda em países europeus e norte-americanos tem se mantido estável, a WCF tem focado esforços em expandir a presença em economias emergentes – principalmente no Brasil, Índia e China. A fundação quer “empoderar e motivar produtores para ver o cacau como uma cultura de longo prazo”, afirmou Richard Scobey, presidente da WCF, durante uma reunião em Bruxelas.

Essa é a mentalidade dos produtores brasileiros. Um exemplo é a empresa baiana AMMA Chocolates, que tem revolucionado a forma de produzir chocolate e plantar cacau. O cacau produzido no sul da Bahia é plantado à sombra da Mata Atlântica.

A AMMA utiliza um sistema conhecido como cabruca, uma forma de cultivo que permite a preservação da floresta. Cabrucar é um termo regional (que vem do verbo brocar) e significa abrir buracos na mata para plantar o cacau. Há alguns anos, cientistas do Jardim Botâncio de Nova York acharam mais de 476 espécies vegetais na região, preservadas graças à cultura responsável.

Essa visão se alinha com a visão sustentável da WCF. A fundação recentemente se uniu ao Instituto de Recursos Mundiais (World Resources Institute – WRI) para mapear 2,3 milhões de hectares em cinco países: Brasil, Camarões, Gana, Indonésia e Costa do Marfim. Os resultados dos estudos vão ser usados para prevenir o desmatamento. “O mapeamento vai ajudar a identificar riscos e agir de forma pro-ativa”, afirma o instituto.