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jan 03, 2018
Indústrias criativas

Netflix investe no potencial do cinema brasileiro

Em 2016, a Netflix lançou “3%”, uma série de ficção científica sobre um futuro distópico em que apenas 3% da população pode viver em conforto – enquanto os demais são relegados a uma vida de pobreza extrema. A série surpreendeu o público estrangeiro pela forma original com que abordou um tema que é frequentemente abordado, oferecendo “uma perspectiva que você não encontra em uma série do tipo”, como disse o Gizmodo. Isso porque “3%” é uma série 100% brasileira – a primeira produzida pela Netflix. Mas não será a última.

O ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão anunciou, após uma reunião com executivos da empresa em Los Angeles, que o serviço de streaming está de olho no Brasil. Além de “3%” e do documentário “Cidade de Deus: 10 anos depois”, que já foram lançados, a Netflix vai lançar 11 projetos brasileiros até 2020.

A estratégia não surpreende. O cinema brasileiro atrai audiências internacionais, como foi o caso do recente “Aquarius” e o curta documentário “Agora”, ambos sucessos de crítica. Além disso, o Brasil é o terceiro maior mercado para a Netflix, sendo responsável por 6% da audiência global do serviço – atrás apenas de EUA e Reino Unido. No ano que vem, assinantes brasileiros devem gastar 480 milhões de dólares em serviços de streaming.

“Nosso plano não é o de levar Hollywood para o resto do mundo, mas sim oferecer bom conteúdo de vários países. Para isso, o Brasil é essencial”, disse Ted Sarandos, o chefe de conteúdo da Netflix. “É um comprometimento para aumentar os investimentos para produzir conteúdo brasileiro. Isso vai beneficiar não apenas o setor do audiovisual, mas o país como um todo”, afirmou o ministro brasileiro.

Jossi Fresco, chefe da Verizon para a América Latina, também vê a região – e o Brasil em especial, como o próximo grande mercado mundial. “A América Latina é um dos mercados com maior crescimento na demanda de conteúdo over the top (OTT). 65% dos adultos da região tem acesso à internet, e o consumo de mídia OTT está rapidamente caminhando para ser o principal uso da internet. Nos próximos cinco anos, a receita em OTT deve triplicar”, afirmou Fresco em Setembro.

Em novembro, a Netflix lançou seu primeiro longa brasileiro: “O Matador”, um faroeste. O filme conta a história do mercenário Cabeleira, que more no sertão pernambucano. De acordo com o site especializado “Decider”, o filme “é certeza de diversão no fim de semana”. O longa tem uma nota 8,6/10 no IMDb, uma das principais referências para cinéfilos. De acordo com a crítica Claire Spielberg, “o filme é um lançamento que nenhum assinante da Netflix vai querer perder”.

As produções brasileiras ainda não têm o mesmo orçamento dos blockbusters americanos. Mas elas compensam com qualidade, criatividade e uma fotografia única. Por isso, a “Hollywood Reporter” afirmou que o cinema brasileiro é “engaja os espectadores e os faz refletir sobre temas da atualidade”.