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mai 16, 2018
Indústrias criativas

MoMA, de Nova York, traz exposição em homenagem a Tarsila do Amaral

Pela primeira vez, uma exposição exclusivamente dedicada à obra da artista modernista Tarsila do Amaral é realizada nos Estados Unidos. “Tarsila do Amaral: Inventando a Arte Moderna no Brasil” está aberta do público desde o dia 11 de fevereiro no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, e vai até o dia 3 de junho. A exposição traz uma retrospectiva da coleção completa dos trabalhos de Tarsila – mais de 100 peças, entre quadros, croquis, fotos e documentos.

Os quadros mais famosos da artista estão no MoMA, incluindo “Abaporu”, “A Negra” e “Antropofagia”. Além disso, uma coleção de croquis nos faz conhecer o processo criativo da pintora. 

Nascida em 1886 em uma família de ricos agricultores de São Paulo, Tarsila começou a pintar na década de 1910. Em 1920, ela deixou o Brasil, aos 34 anos, para estudar na antiga e renomada escola de arte Académie Julian, em Paris. Lá, Tarsila segui o que ela apelidou de “serviço militar do cubismo”, com artistas como André Lhote, Albert Gleizes e Fernand Léger. Foi nas indas e vindas de São Paulo, porém, que ela moldou o modernismo brasileiro, fazendo sucesso nas cenas artísticas de São Paulo e da capital francesa.

Junto com os artistas Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e Mário de Andrade (os criadores da Semana de Arte Moderna de 1922), Tarsila formou o “Grupo dos Cinco”, que produziu uma série de manifestos e ideias que definiram o modernismo no Brasil e influenciaram gerações de novos artistas.

Uma das produção do Clube dos Cinco foi o Manifesto Antropofágico, publicado em 1928 por Oswald de Andrade, marido de Tarsila, e baseado na obra Abaporu – que está em exibição no MoMA. O manifesto fala sobre uma característica da arte local, que “canibalizaria” as referências de outras culturas para formar as próprias manifestações culturais. Os modernistas pregavam que os brasileiros deveriam “comer” as influências de fora, para gerar os próprios códigos artísticos.

A famosa frase “Tupi or not tupi” é ao mesmo tempo um exemplo de como Oswald de Andrade “canibalizou” a referência de Shakespeare e um aceno aos povos nativos do Brasil. Vários povos Tupis realizavam rituais de canibalismo, acreditando que, ao devorar o inimigo, absorvia-se sua força e suas qualidades.