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fev 06, 2018
Alimentos e bebidas

Minas Gerais: a terra do café

A gastronomia do estado de Minas Gerais ganhou notoriedade no Brasil e no exterior graças à produção de laticínio. O queijo Canastra, por exemplo, venceu inúmeros prêmios internacionais – vencendo inclusive concorrentes franceses mais badalados. Mas agora, o estado consolida sua fama como um grande produtor de cafés especiais.

Não é por acaso que o café vendido ao maior preço do mundo venha de Minas. Os grãos da Fazenda Bom Jardim, em Patrocínio, foram arrematados por compradores japoneses e australianos por 16.800 dólares por saca de 60kg. Essa marca quebrou o recorde anterior – também brasileiro. Em 2016, grãos da Bahia foram vendidos por 5.800 dólares por 60kg.

Minas Gerais é também sede da Brazilian Specialty Coffee Association (ou Associação Brasileira de Cafés Especiais, em tradução livre), entidade que certifica e representa os melhores produtores do país. Existem atualmente 96 produtores certificados, que precisam respeitar requisitos para conseguir o título de “café especial”. “A qualidade dos nossos produtos tem crescido. Outros países vão entender isso e pagar mais pelo produto”, disse Vanúsia Nogueira, diretora executiva da BSCA, ao BHAZ.

Para promover a qualidade e complexidade do café especial brasileiro, a BSCA organiza uma série de competições. A mais importante delas, chamada Cup of Excellence, é realizada em parceria Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Os jurados da Cup of Excellence deram a maior nota já registrada internacionalmente a um café de Minas Gerais. Desde 2005, nenhum outro café do mundo conseguiu ultrapassar a marca de complexidade de 95.85.

À medida que o sul de Minas ganha mais notoriedade pela excelência de seu café, uma segunda atividade tem ganhado força: o turismo especializado. Muitas agências e guias autônomos oferecem passeios pela notória rota do café, levando clientes às fazendas, moinhos e produtores artesanais.

A demanda pelo café brasileiro ganha tração no mundo, mas também atrai cada vez mais consumidores brasileiros. O consumo local de cafés especiais aumento 13% nos últimos três anos. Os cafés especiais já representam 20% das exportações brasileiras do produto, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Café.

Minas continua líder nesse mercado, mas outros estados se esforçam para fazer frente à “terra do café especial”. Mato Grosso, por exemplo, que já é uma potência agrícola, vai investir mais de 2 milhões de dólares no setor de cafeicultura. O objetivo é de dobrar a produção local até o fim de 2018.