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out 19, 2017
Indústrias criativas

Designers brasileiros que transformam a indústria de móveis contemporânea

Sergio Fahrer não tem a formação que você esperaria de um designer de móveis. Apesar disso, os trabalhos de Fahrer têm chamado atenção desde 1992, quando ele criou a cadeira ‘Blues chair’.

Fahrer, um músico experiente, estudava à época no Instituto de Tecnologia de Los Angeles, nos Estados Unidos. Ele aprendia a elaborar o design e a construção de instrumentos musicais. Um dia, decidiu construir uma cadeira para substituir o banco que vinha usando.  Usando dois tipos de madeira usados para fabricar instrumentos, ele criou um material flexível, dando origem às curvas típicas da ‘Blues chair’. Mas Fahrer tinha ainda um toque final: ele derreteu 1.500 palhetas de guitarras – de várias cores e tamanhos – e jogou por cima da cadeira.

O resultado foi impressionante, ao ponto de agradar a uma lenda do rock, Eric Clapton. O cantor gostou tanto do design que comprou uma peça de Fahrer para seu estúdio – se tornando a primeira de muitas celebridades a comprarem peças do brasileiro. A lista inclui Chico Buarque e Djavan, que confirmam a fama de Fahrer como um pioneiro do design de móveis.

O negócio decolou mais tarde, após o irmão de Sergio, Jack, ter se juntado ao designer. As criações de Fahrer já participaram de três bienais do design brasileiro e ganharam prêmios nacionais e internacionais. Além disso, a dupla já expôs na Alemanha, França, Itália, Suécia, Reino Unido, São Francisco, Nova York e Argentina. Mais recentemente, a dupla mostrou seu trabalho na Embaixada do Brasil em Paris, a partir do Projeto Raiz.

A combinação de criatividade em matéria de design e o uso de materiais inovadores são os diferenciais dos irmãos Fahrer. Sergio garante Jack é um designer talentoso. “Jack tem uma forma muito livre de desenhar, tem um olho especial para cores, tecidos, estampas – o que complementa nossa paixão por traços e estrutura”, diz Sergio. “A soma dos nossos talentos é o que marca nossas peças – e tudo que lançamos juntos. É um processo bem dinâmico e colaborativo”.

A antiga carreira de Jack Fahrer, como um bem-sucedido integrante de três bandas, ainda influencia seu trabalho hoje. Enquanto as curvas desenhadas por Sergio são inspiradas no jazz, bossa nova e blues, Jack prefere as linhas retas – uma herança do rock’n’roll. “Eu sou fascinado pelas linhas dos anos 50, 60 e 70. Por isso, eu isso curvas menos sinuosas, o que dá uma sutileza às peças dos Fahrer”, disse Jack à Globo.

A dupla tem chamado atenção pela contínua busca por materiais diferentes. Duas décadas depois de usar palhetas de guitarras, Fahrer ainda busca impressionar pelo uso de materiais diferenciados. Mais recentemente, os irmãos passaram a trabalhar com borracha, látex e materiais extraídos da taeda pinus, um tipo de pinheiro. Acima de tudo, os irmãos fazem questão de comunicar a sua origem brasileira. “Queremos que o nosso trabalho tenha uma cara brasileira”, disse Sergio, em entrevista à Globo.