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jan 15, 2018
Alimentos e bebidas

Conheça os aplicativos brasileiros transformando o agronegócio

Há décadas, o Brasil tem se destacado como um dos maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo, graças a um dos territórios mais férteis do mundo. Enquanto a produção mundial cresce a uma taxa de 1.84% ao ano, o Brasil aumenta a sua produção em 4%, em média. O agronegócio hoje responde por 20% dos empregos brasileiros, 25% do PIB e 46% das exportações totais.

Nos anos 1970, o Brasil já produzia cerca de 30 milhões de toneladas de alimentos por ano. À época, o país ainda era, segundo o diretor da Embrapa, Celso Moretti, um importador de alimentos. A produção nacional, porém, aumentou em 600% durante as últimas quatro décadas: durante os anos 2010, o Brasil produziu uma média anual de 230 milhões de toneladas de alimentos.

A crescimento foi ainda maior nos últimos anos, graças às novas tecnologias à disposição dos produtores. Em 2007, cada hectare rendia 2,85 toneladas. Dez anos mais tarde, a mesma superfície rendia 3,85 toneladas – graças ao surgimento das agrotechs.

Apesar de novas, as agrotechs têm chamado atenção pelo mundo, e podem ajudar a reduzir custos e diminuir o consumo de energia no Brasil – o maior exportador mundial de açúcar, café, suco de laranja, soja e frango, além de ser o segundo maior produtor de carne bovina e quarto maior de carne suína.

Minas Gerais é o estado onde o impacto das empresas de tecnologia tem sido mais perceptível. Alguns dos melhores cafés do mundo são produzidos na região, e a maioria vem de pequenas propriedades, que não têm recursos para as ferramentas usadas pelos grandes produtores. Porém, graças as agrotechs, o produtor Rafael Henrique Luz, da Fazenda da Serra, teve sua primeira colheita mecânica.

O aplicativo que ajudou Luz foi o Uller, uma espécie de Uber do agronegócio. Criado por Danielle Fonseca, de 25 anos, Uller permite que pequenos produtores aluguem máquinas colheitadeiras – a colheita mecânica, como se sabe, é bem mais barata que a manual.

Na série produzida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e veiculada pela BBC, Fonseca explica que o aplicativo demorou apenas um ano para ser implantado. “Já conhecíamos o conceito de economia colaborativa, e somos clientes de aplicativos como Uber e AirBnb”, ela afirma. “Comecei a pensar como esse conceito poderia ser aplicado para produtores como nós, criando uma economia mais sustentável”.

Uller opera principalmente em Minas Gerais, mas já tem mais de 200 usuários. Projeções para o primeiro ano são de uma receita de 200 mil dólares. Mas o empreendimento de Fonseca está longe de ser o único. O hub online StartAgro é outra nova startup – e conecta produtores a inovadores e investidores, sempre com o foco de aumentar a produtividade. O fundador da empresa, Clayton Melo, afirma que hoje existem aproximadamente 200 agrotechs no Brasil. “O Brasil é provavelmente o maior mercado após os Estados Unidos. A maioria [das agrotechs] está no início. Ou seja, ainda existe um potencial enorme para os próximos anos”.

As agrotechs brasileiras podem ser pequenas, mas têm crescido rápido. BovControl, um aplicativo que permite a coleta e análise de todos as informações a respeito do rebanho, foi incluído pela Forbes na lista das 25 agrotechs mais inovadoras do mundo. A empresa já atende mais de 30 mil produtores em cinco continentes. “A base de usuários tem crescido cerca de 5% ao mês. Ou seja, estamos dobrando essa base todo ano”, afirma Marcelo Murachovsky.

Combinar uma maior produtividade ao melhor uso de energia e redução de resíduos é possível, como têm mostrado o Brasil.

O episódio da série da Apex-Brasil e BBC sobre as agrotechs é o segundo de uma série de quatro vídeos, e detalha como empreendedores inovadores têm ajudado o agronegócio brasileiro a se tornar ainda mais dinâmico e sustentável. Clique aqui para assistir.