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fev 14, 2017
Inovação e tecnologia

Comunidades na Amazônia produzem gelo com energia solar

Comunidades ribeirinhas localizadas ao longo do Rio Solimões podem conservar peixe e frutas frescas com máquinas de gelo movidas a energia solar. O sistema fotovoltaico foi desenvolvido pelo Projeto Gelo Solar, criado pelo Instituto Mamirauá – um grupo de pesquisas em desenvolvimento.

As máquinas foram instaladas na Vila Nova do Amanã e beneficiam um total de 60 comunidades que vivem ao longo do Solimões, um importante rio na Bacia do Amazonas.

Como essas comunidades não têm acesso à eletricidade, o Projeto Gelo Solar permite que elas produzam gelo sem precisar recorrer a baterias caras – e que poluem o meio ambiente. A tecnologia de energia solar foi desenvolvida pelo engenheiro Carlos Driemeier, durante uma pesquisa de pós-doutorado pela Universidade de São Paulo.

As máquinas são equipadas com 60 painéis solares que captam energia fotovoltaica, contida nos raios solares. Para o desenvolvimento do projeto e leva-lo à Amazônia, o Instituto contou com uma bola de 160 mil dólares do Desafio de Impacto Social do Google Brasil. 

O instituto escolheu como local de instalação o vilarejo de Vila Nova do Amanã, onde a única fonte de energia é um gerador a diesel – que funciona durante 3 a 5 horas por dia. Uma vez a máquina instalada, o instituto promoveu uma série de cursos sobre como usá-la – inclusive para crianças e idosos. O objetivo é passar o know-how para a comunidade local.

“Nós esperamos que a comunidade se aproprie da tecnologia,” afirma o pesquisador Iaci Penteado.

Cada uma das três máquinas produz 30 quilos de gelo por dia, sob a forma de 20 blocos. O gelo é, então, triturado e armazenado em caixas de isopor, para ser dividido entre membros da comunidade. De acordo com pesquisadores, as máquinas vão ajudar mais de 100 famílias a aumentarem suas receitas em até 12% nos próximos dois anos.

Antes das máquinas de “gelo solar”, as comunidades só conseguiam trazer gelo da cidade mais próxima – o que significava uma viagem de barco que durava até 10 horas. Resultado: as comunidades tinham uma quantidade de gelo insuficiente para armazenar peixes e frutas frescas.

As máquinas fazem, também, parte de uma pesquisa social em andamento. Técnicos do Instituto Mamirauá checam as máquinas mensalmente, monitorando dados da produção de gelo e seu impacto na renda das famílias.

“Monitorar essa atividade é importante. Queremos ver como a máquina de gelo impacta a comunidade, e como eles se organizam para usá-la”, afirma Penteado. “Mas também é importante pois nos permite incrementar o projeto no futuro. Usamos as opiniões e sugestões dos moradores para melhorar”.