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nov 14, 2017
Inovação e tecnologia

Cientistas brasileiros usam nanotecnologia para combater doenças

À medida que as infecções se tornam mais resistentes, a medicina moderna tenta se tornar mais eficiente e inteligente. E um grupo de pesquisadores brasileiros tem dado a sua contribuição. Cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) tem usado nanotecnologia – normalmente associada à robótica ou informática – a serviço da biologia.

O time do CNPEM, que opera em Campinas, tem usado nanotecnologia para combater fungos e bactérias que se tornaram resistentes a remédios tradicionais. O nanofármaco é capaz de atacar apenas os corpos estranhos, por meio de nanopartículas de prata e sílica. As partículas são mil vezes menores que o diâmetro de um fio de cabelo, e são revestidas por uma camada de antibiótico.

“Nós usamos o antibiótico com uma espécie de isca. Assim, chegamos às bactérias que apresentam uma alta taxa de fármacos. Por meio da ação de íons de prata, conseguimos matar microrganismos resistentes”, afirma Matheus Borba Cardoso, pesquisador no CNPEM.

O melhor é que a seletividade do nanofármaco faz com que as células saudáveis não sejam afetadas. Carregando uma alta dose do princípio ativo do remédio, o nanofármaco é muito eficiente – mas não traz efeitos negativos ao corpo humano. Antibióticos tradicionais, em contrapartida, afetam tanto bactérias inofensivas quando as danosas.

“Por meio de modelagem molecular, nós somos capazes de determinar que parte da molécula da ampicilina interage melhor com a membrana bacteriana”, explica Barbosa. “Aí, colocamos as moléculas do remédio que têm essa partícula na parte externa do nanofármaco, aumentando as chances de interação com o agente patógeno”.

O potencial que essa tecnologia tem para a medicina, especialmente no tratamento de doenças mais resistentes, é enorme. O CNPEM testou o nanofármaco contra a E-coli, uma bactéria agressiva que causa diarreia e vômito, e causa sérios problemas de saúde se não tratada. A pesquisa pode ser especialmente importante no tratamento de infecções por E-coli na África e América do Sul, que matam milhares de pessoas todos os anos.

Apesar de a fase de testes ainda não ter sido concluída, o nanofármaco pode ser comercializado rapidamente. O CNPEM ainda realiza testes adicionais para se certificar de que não há riscos à saúde humana, mas os pesquisadores acreditam que a tecnologia pode ser facilmente customizada para atender ao tratamento de diferentes doenças.

A solução tem potencial, ainda, para tratar vírus e tumores. Alguns cientistas acreditam que ela pode até ser usada contra o HIV. Se for o caso, a tecnologia vai ter um papel fundamental na luta mundial contra a Aids.