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dez 06, 2017
Alimentos e bebidas

Brasileiros tornam a cadeia produtiva do vinho ecologicamente responsável

Apesar da intensa modernização dos processos agrícolas nas últimas décadas, um problema persiste: como lidar com a quantidade de resíduos gerados durante o processamento da matéria-prima. Cientistas brasileiros, porém, passaram a usar os resíduos produção agrícola para produzir outros alimentos e produtos cosméticos. Os pesquisadores usaram como base para a pesquisa resíduos da vitivinicultura – o que significa que seu cálice de vinho poderá, em breve, ser parte de uma cadeia produtiva sustentável.

O professor Severino Matias de Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/ESALQ) desenvolve pesquisas sobre como reutilizar resíduos sólidos gerados pela indústria agroalimentar. A cultura da uva, por exemplo, gera o bagaço, além do fato que sementes e folhas são frequentemente descartados no processo de cultivo, e potencialmente podem contaminar solo e porções de água.

Alencar, então, criou um grupo de pesquisa para encontrar “alternativas para os resíduos gerados pela indústria”. Em entrevista ao Canal Rural, o professor explicou: “Nosso grupo estuda e procura criar alternativas para a reutilização do lixo agroindustrial. Nós trabalhamos duro para identificar o potencial que cada tipo de resíduo tem para ser reintegrado à cadeia produtiva”.

O grupo começou o estudo analisando uvas das castas francesa Chenin Blanc, Petit Verdot e Syrah, em função de suas propriedades antioxidantes – substâncias que são muito demandadas pelas indústrias de alimentos e de cosméticos. Além disso, uvas são produzidas em grande quantidade no Brasil – 1,3 bilhão de toneladas apenas em 2017, segundo o IBGE. Resíduos como caules, folhas e sementes podem representar 30% do volume colhido por produtores.

Esses resíduos, que seriam descartados, têm um altíssimo potencial nutricional. Uvas têm propriedades antibacterianas e antinflamatórias, além de ajudar na prevenção de tumores e diabetes. Em vez de permitir o simples descarte de 390 mil toneladas de resíduos sólidos, o grupo de Alencar iniciou sua pesquisa.

Segundo Pedro Luiz Rosalen, um dos coordenadores da pesquisa, fala sobre os possíveis impactos do tratamento de dejetos. “Esses produtos podem ser reaproveitados por uma série de setores, sendo usados em produtos cosméticos, farmacêuticos e químicos”.  Além disso, o uso de resíduos diminui a necessidade de pesticidas e aditivos. 

Os pesquisadores afirmam que esta é a primeira vez que o potencial antioxidante das uvas europeia adaptadas a uma região semiárida é avaliado. Os resultados até agora são animadores. Em breve, você pode ajudar a fomentar uma cadeia produtiva sustentável pelo simples ato de tomar uma taça de vinho – graças a esses pesquisadores brasileiros