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mai 09, 2018
Inovação e tecnologia

Brasileiros desenvolvem tecnologia para proteger plantações de ataques de formigas

A empresa de celulose Fibria implementou o uso de tecnologias inovadoras de monitoramento e controle de plantações para combater infestações de formigas em plantações. O processo começa quando técnicos da Fibria visitam a plantação, coletando em um tablet ou smartphone informações sobre a terra e as plantações, criando um diagnóstico completo sobre as infestações – que darão origens a mapas e bases de dados.

Um dos principais benefícios dessa tecnologia é que ela torna as medidas de combate a insetos mais eficientes. “Nosso equipamento permite praticar a chamada agricultura de precisão”, afirma Edmilson Bitti, coordenador de proteção florestal da Fibria. “Com isso, é possível andar na floresta e saber exatamente onde tem formiga, onde colocar a isca – e se teve algum desvio, seja por interferência natural ou humana”.

De acordo com Sinval Silveira Neto, professor sênio de entomologia e controle de pragas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), “o problema maior não é o controle das infestações, o principal é localizar os ninhos das formigas”. E nisso, a tecnologia da Fibria ajuda bastante.
Uma vez que os ninhos foram encontrados, as infestações são controladas por meio de formicidas granulados usados como iscas, ou agentes termonebulizáveis.

A Fibria, líder mundial em produção de celulose de eucalipto, implantou o sistema pela primeira vez em Aracruz, Espírito Santo. Agora, a empresa usa o sistema em todas as suas plantações Brasil afora. Ao adotar essa tecnologia, a Fibria observou um aumento significativo de eficiência e qualidade da produção. Além disso, a tecnologia tem permitido a redução de custos, uma vez que não há necessidades de grandes intervenções, já que as populações de formigas são controladas.

“Em média, graças ao sistema de georeferenciamento, 55% das nossas terras acabam não precisando de intervenções anuais ou controles de infestação – algo que é muito comum em outras plantações”, explica Bitti. “A tecnologia contribui para melhorar o gerenciamento e garantir a performance operacional”.

As formigas cortadeiras, principalmente as saúvas (Atta) são as mais comuns no Brasil. Elas atacam quase todos os tipos de plantas, comendo as folhas e, por vezes, levando à morte árvores inteiras. Estimativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sugerem que as perdas anuais causadas por pestes e doenças cheguem a 55 bilhões de reais. 

Soluções inovadoras, como a da Fibria, vão ajudar a reduzir esse montante e a aumentar a eficiência da agricultura brasileira.