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jan 23, 2018
Inovação e tecnologia

Brasil pode ser o próximo líder na produção de energia renovável

Em um mundo que tenta mudar a matriz energética para fontes renováveis, a riqueza natural do Brasil pode se tornar um ativo importante. A maior parte da energia produzida no país já vem de usinas hidrelétricas, e a mais da metade dos carros brasileiros são abastecidos com etanol. Mas o Brasil tem é rico em níveis de insolação e ventos – e isso pode colocar o país como um líder na produção de energia limpa.

Menos de uma década atrás, a energia vinda do sol e dos ventos respondia por uma pequena parcela da produção brasileira (e mundial). Mas à medida que o Brasil começou a explorar essas fontes de energia, o potencial do país mostrou-se evidente.

O uso brasileiro de energia solar já é bem maior que a média mundial – com 41% dos recursos mundiais. E quando o país terminar de instalar usinas com uma capacidade de geração de 6 gigawatts – que se somarão à capacidade atual de 12 GW – o Brasil poderá produzir até 10% da energia solar de todo o mundo. Se todo o potencial for utilizado, a capacidade pode chegar a 500 GW.

Élbia Gannoum, presidente da Abeeólica, a Associação Brasileira de Energia Eólica, conversou com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para uma web-série, veiculada pela BBC, sobre a produção de energia limpa no Brasil. “Em 2012, o país era apenas o 15o em termos de capacidade instalada. Agora, já somos o 9o maior país do mundo”, ela explica, acrescentando que o Brasil tem o quinto maior investimento mundial no setor.

“O mercado e a capacidade instalada vão continuar a crescer pelo menos pelos próximos 15 a 20 anos. Em 2022, a energia eólica deve ser a segunda maior fonte de energia para os brasileiros, atrás apenas da energia hidrelétrica”, ele afirma.

Os ventos fortes e constantes do Brasil têm trazido investidores de todo o mundo. “O Brasil começou mais tarde, mas a abundância de recursos ajuda muito”, afirma Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura. O grupo italiano Enel já está desenvolvendo projetos de energia solar e eólica no nordeste brasileiro – e está entre as mais de mil empresas do setor.

A energia solar segue trajetória similar. Em 2012, o Brasil tinha poucos centros de produção. Isso começou a mudar em 2013. Desde então, o único de locais de produção aumentou em mais de 100 vezes – e o país ainda não atingiu todo o potencial.

“O Brasil finalmente acordou para o potencial de energia solar”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (ABSolar), Rodrigo Sauaia. “De acordo com as principais projeções de longo prazo, a energia solar tem potencial para responder por um terço da capacidade de produção brasileira até 2040. Se esse potencial for atingido, o sol será a principal fonte de energia para o Brasil – à frente até mesmo da energia hidrelétrica”.

Os investimentos dão motivo para acreditar nas projeções. Enel e a EDP, um grupo português, firmaram parcerias com startups locais para acelerar o crescimento do setor. Uma dessas empresas locais é a Sunew, que desenvolveu uma alternativa aos painéis de silício. A empresa produziu um filme fotovoltaico transparente e flexível, que pode ser usado mais facilmente em janelas, tetos de veículos – e até mesmo em roupas, como afirma Felipe Ivo, CEO da empresa.

O episódio sobre energia renovável é o da série produzida pela Apex-Brasil para a BBC. Ele mostra não apenas como o Brasil tem gerenciado sua transição energética, mas também como a mudança tem sido bem-sucedida. Clique aqui para ver o vídeo completo.