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mai 10, 2018
Inovação e tecnologia

Brasil: país fértil para a evolução do agronegócio

O sucesso da agropecuária brasileira é normalmente atribuído à abundância de recursos naturais, às dimensões continentais do país e à predominância do clima tropical. Até a metade do século passado, entretanto, o país se deparava com uma série de desafios para a produção de alimentos. Uma parte considerável do seu solo é de baixa fertilidade, e sua vasta extensão territorial se apresentava como um obstáculo no transporte e na distribuição da produção. O investimento em pesquisa e em novas tecnologias para o setor nas últimas décadas, em um esforço integrado que reuniu instituições públicas de excelência, agentes privados e o terceiro setor, permitiu ao país transformar áreas pouco férteis em regiões agrícolas líderes no mercado global. 

Um bom exemplo desse esforço é a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada em 1972, que ajudou o Brasil a superar esses desafios ao longo dos anos e a se tornar um dos maiores produtores de alimentos do planeta. O setor agropecuário brasileiro hoje representa 23,5% do PIB nacional, 25% dos empregos e 46% das exportações. E não mostra sinais de desaceleração: em 2017, o setor cresceu 13% – a maior taxa desde 1989.

Atualmente, o Brasil figura entre os três principais produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo, sendo o único país tropical na liderança do setor. Além disso, exporta carne para mais de 190 países. O país produz quatro vezes mais carne bovina e três vezes mais carne suína do que há 40 anos. O Brasil também lidera as exportações mundiais de café, açúcar, suco de laranja, soja, frango e etanol (produzido à base de cana-de-açúcar).

Apesar disso, a preocupação ambiental pauta o crescimento agrícola brasileiro, e produtores locais dão preferência a terras subutilizadas, ao invés de avançar em áreas de vegetação nativa, que cobrem cerca de dois terços do país. Um estudo recente da United States Geological Survey (USGS), em parceria com a NASA, revelou que as áreas plantadas cobrem 64 milhões de hectares, ou seja, 7,6% de todo o território nacional. Nos últimos 40 anos, a produção de grãos aumentou 407%, porém, o crescimento da área cultivada foi de apenas 63%. Isso significa um avanço nas taxas de produtividade de 2,9% por ano, em média.

A capacidade produtiva do Brasil é potencializada pela diversidade climática. Cada um dos quatro grandes biomas brasileiros apresenta vantagens e desafios próprios. Entretanto, no Nordeste do país (região mais árida do território nacional), por exemplo, graças a pesquisas para a melhoria da qualidade do solo, capitaneadas pela Embrapa, a paisagem desértica deu lugar a plantações de manga e de uvas. Antes considerada pobre para a agricultura, a região tornou-se o principal centro de exportação de frutas, com mais de 2,5 milhões de hectares cultivados. O Brasil é hoje o terceiro maior produtor de frutas do mundo. O mercado nacional absorve a maior parte dessa produção, mas isso não impede o país de conquistar mercados exigentes, como Estados Unidos e Europa.

Na região da floresta amazônica, a principal preocupação é harmonizar eficiência e preservação. O Código Florestal é o principal instrumento de política pública para a convergência dos interesses de expansão do agronegócio brasileiro com a necessária proteção ao meio ambiente, em busca do desenvolvimento sustentável do país. Ele determina a conservação da vegetação natural nos estabelecimentos agropecuários, impondo os limites mínimos de Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (RL) nas propriedades privadas. As APPs são áreas de interesse específico para a conservação dos recursos naturais, como encostas e margens de rios, enquanto a RL é uma fração da área que deve ser preservada na forma de vegetação nativa. As áreas mínimas de RL dependem do bioma no qual a propriedade se encontra. Na região amazônica, por exemplo, essa área mínima de preservação é de 80%. O Código Florestal determina ainda a obrigatoriedade do Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma base de dados eletrônica que identifica as áreas de APP e RL em cada propriedade rural. É o principal instrumento de monitoramento e transparência agroambiental das propriedades no Brasil.   

Além disso, para ajudar o país a alcançar suas metas para o desenvolvimento sustentável, a Embrapa desenvolve sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) que alternam o uso da terra para pecuária e o plantio de florestas, garantindo que a agricultura nesse bioma – um dos mais importantes do mundo – mantenha-se eficiente e sustentável. Essa iniciativa pioneira já foi implementada em mais de 11,5 milhões de hectares no Brasil.

Sustentabilidade também é preocupação prioritária na produção de grãos. Como segundo maior produtor mundial de soja, o Brasil está comprometido em assegurar que o aumento da produção não gere mais danos ao meio ambiente. A moratória da soja é o primeiro compromisso voluntário associado ao desmatamento zero nos trópicos e foi considerada como um marco para arranjos semelhantes para a pecuária e para o óleo de palma. Com ela, os principais compradores da soja se comprometeram a não comercializar nem financiar a soja produzida em áreas desmatadas no Bioma Amazônia após julho de 2006.

Além de grãos e frutas, o Brasil também é uma potência na produção de cana-de-açúcar, sendo responsável por 25% da produção mundial de açúcar. Dois terços desse total vão para mais de 100 países. Além da importância para a indústria do açúcar, a cana ainda é usada para a produção de biocombustíveis. O Brasil é pioneiro no desenvolvimento de etanol à base de cana-de-açúcar como uma alternativa economicamente viável aos combustíveis fósseis, com iniciativas no setor desde os anos 1970. O etanol de cana pode reduzir as emissões de dióxido de carbono em até 90%, em comparação com a gasolina convencional.

Por fim, o Brasil tem uma robusta indústria de carnes e está entre os cinco maiores países produtores e exportadores de carne bovina, suína e de frango. E, apesar de ter aumentado a produção de frango em 211% desde 1997, o Brasil continua sendo o único grande exportador que está livre de gripe aviária. A qualidade do frango brasileiro permitiu que o produto chegasse às mesas de mais de 100 países. O Brasil tem se esforçado para aumentar também a produção suína. Hoje, apenas a União Europeia, a China e os Estados Unidos produzem mais suínos que o Brasil; mas o jogo pode virar, graças a práticas sustentáveis para a produção de suínos que vão aumentar a produção, ao mesmo tempo que reduzirão a poluição produzida pela cultura.

Desde 1992, o Brasil tem se comprometido a erradicar a febre aftosa. O país foi progressivamente conquistando territórios livres com vacinação e, no final do ano passado, foi possível erradicar a doença. Em 24 de maio de 2018, a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) declarou o país como inteiramente livre da febre aftosa.