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jan 17, 2018
Inovação e tecnologia

Biodiversidade brasileira reinventa a indústria de biotecnologia

Abrigando cerca de 10% de todas as espécies do planeta, o Brasil certamente é um dos países com maior biodiversidade. O país tem mais de 120 mil espécies animais, 50 mil vegetais, 82 mil espécies de insetos e 4 mil tipos de peixes. Isso sem falar nos milhares de tipos de algas, moluscos e aracnídeos. Mais que importante sob o aspecto da proteção ambiental, o Brasil tem um potencial imenso para inovação médica.

Grandes avanços em biotecnologia foram possíveis graças à biodiversidade única do Brasil – e os segredos da natureza brasileira só começaram a ser desvendados. Empresas de biotecnologia e universidades locais têm investido pesado para descobrir e desenvolver curas para diversos tipos de doenças.

A Biozeus, uma empresa do Rio de Janeiro, recebeu investimentos da Universidade Federal de Minas Gerais para pesquisas. Das quatro frentes de pesquisa da Biozeus, a mais famosa é a que desenvolve um remédio contra disfunção erétil a partir do veneno de dois tipos de aranha: a armadeira e a aranha-de-bananeira. A picada dessas aranhas causa ereções longas e dolorosas. Para o CEO Luis Eduardo Caroli, porém, isso é uma oportunidade.

Outros projetos da empresa incluem remédios contra certos tipos de câncer, artrite reumatoide, diabetes e obesidade. Mas a Biozeus não é, nem de longe, a única empresa a explorar as possibilidades oferecidas pela natureza brasileira. A indústria farmacêutica também não é a única a se beneficiar de ingredientes naturais: as indústrias alimentar e de cosméticos também têm ganhado muito com a biodiversidade brasileira.

A paulista Phytobios está desenvolvendo um corante líquido vermelho a partir de nanopartículas de goiabas. A CEO Cristina Ropke explicou, em uma série produzida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), e veiculada pela BBC: “O corante pode ser usado em bebidas esportivas e é mais estável que o licopeno de tomate”.

A gigante brasileira Natura é outra empresa que explora o potencial da biodiversidade. A empresa desenvolveu um creme a partir de sementes da ucuúba, uma árvora da Amazônia que pode chegar a 60 metros de altura – e que estava ameaçada. A Natura usa mão de obra local para a coleta de sementes. “A Ucuúba tem uma propriedade umidificadora única, que hidrata a pele sem deixa-la pegajosa”, afirma Alessandro Mendes, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Natura.

A agricultura é outro setor que se beneficia dos avanços da biotecnologia. Empresas como a Promip têm explorado a possibilidade de usar insetos modificados geneticamente (vespas, joaninhas, libélulas e ácaros, entre outros) para atacar pestes como formigas e moscas. A empresa também tem explorado a possibilidade de usar drones para escolhar os locais das plantações onde os insetos devem ser colocados.

Esses avanços se tornaram possíveis após 2015, quando o Brasil aprovou sua legislação acerca da biodiversidade – uma prova que o país se compromete com a inovação. “Enquanto muitos países ainda trabalham a própria legislações, as empresas brasileiras já sabem como proceder”, diz Cristina. “O Brasil tem se tornado um local interessante para parcerias internacionais”.

Na série produzida pela Apex-Brasil, você pode ver como biólogos brasileiros têm lançado mão da imensa biodiversidade brasileira para trazer avanços em diversos campos científicos. Clique aqui para ver o vídeo da BBC, e aqui para ler o artigo da Vice sobre a revolução biotecnológica no Brasil.