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jan 19, 2018
Indústrias criativas

Arte brasileira mudando paisagens urbanas

Mais de 80% dos brasileiros vivem em cidades – uma proporção muito maior que a média mundial. Isso significa que, apesar de o Brasil ser um país de exuberante natureza, é também um país com uma das maiores populações urbanas do mundo – e alguns dos maiores engarrafamentos. Mas a iniciativa “Cidade Hackeada”, que acontece em São Paulo, tem chamado atenção para o fato de que cada cidadão pode fazer a diferença na paisagem urbana.

O projeto foi criado pelo arquiteto Guto Requena, que levou à movimentada Avenida Rebouças uma fachada de luz interativa para o WZ Hotel Jardins. Chamada “Criatura de Luz”, a fachada é equipada com microfones, uma estação meteorológica e 200 barras de LED, a fachada tem um gasto energético baixíssimo e reage em tempo real aos estímulos dos ambientes e das pessoas.

Requena queria, com a peça, mostrar às pessoas que as ações de cada um podem impactar diretamente o ambiente ao redor delas.  Quando mais barulhento e poluído fica o ambiente, mais feia a “Criatura” se torna – um lembrete sobre como nosso comportamento molda a cidade. Requena usa a arte para mostrar que centros urbanos também podem ser locais onde as pessoas tratam-se com gentileza.

Outros trabalhos do arquiteto abordam temas parecidos. Ele tem outra instalação em São Paulo, na Avenida Paulista, que projeta em um prédio os rostos das pessoas que passam pelo local.

Requena é parte de um movimento que ganha popularidade entre a nova geração de artistas brasileiros, que aproveitam o uso de novas tecnologias a proveito da arte. Além do arquiteto, a dupla Gisele Motta e Leandro Lima também se destaca. O duo, conhecido apenas como Motta e Lima, usa a iluminação para alterar o humor das pessoas por meio da arte, por meio de lâmpadas cilíndricas, esculturas e projeções holográficas.

Para a obra “Controle Remoto”, a dupla criou 30 casas de pássaros, usando como base maquetes de bairros densamente povoados. Cada casinha foi equipada com um dispositivo para emular os estímulos visuais e sonoros de uma televisão, mostrando como seria a vista aérea de um bairro muito povoado. As obras da dupla propõem uma reflexão sobre temas como bem-estar, uso consciente de energia, destruição e criação.

Artistas brasileiros, porém, também têm deixado uma marca no exterior. Museus internacionais como Tate Modern, MoMA, Guggenheim e a Fundação Cartier trouxeram exposições de artistas brasileiros. O que não falta é demanda por arte do Brasil.

Agora, a Vice Brasil está promovendo uma série produzida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para levar a cultura brasileira a outras partes do mundo. Clique aqui para ler como artistas brasileiros têm usado tecnologia para levar a arte a novos níveis.