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dez 14, 2017
Alimentos e bebidas

Agricultura brasileira é a mais sustentável entre grandes produtores

Uma nova pesquisa do instituto Climate Policy Initiative considerou o Brasil como o país com as leis ambientais mais rigorosas. O agronegócio brasileiro, que só faz crescer em importância para o resto do mundo, tem as melhores práticas em sustentabilidade quando comparado a outras grandes potências produtoras.

Pesquisadores da PUC-Rio trabalharam em conjunto com os cientistas da Climate Policy Initiative, comparando as leis ambientais e a produção de diferentes países.

As autoras do estudo, as pesquisadoras Joana Chiavari e Cristina Lemes Lopes compararam o Brasil à Argentina, China, França, Alemanha, além de Canadá e Estados Unidos – os maiores países exportadores de produtos agropecuários. A pesquisa traz informações sobre as Áreas de Proteção Ambiental (APPs) em cada país, detalhando as iniciativas legislativas para promover a conservação da biodiversidade.

De acordo com o estudo, “O Brasil é o país que possui de longe as maiores faixas marginais de proteção de cursos d’água (APP ripária). A APP deve ser composta por vegetação nativa e os proprietários não recebem compensação financeira devido a esta limitação no uso da propriedade”.

As pesquisadoras ainda descrevem o uso de pesticidas em outros países: “Na Alemanha, a Lei Nacional de Recursos Hídricos estabelece a obrigação de manter faixas marginais de proteção de no mínimo cinco metros ao longo de cursos d’água, aplicável somente em áreas edificáveis. Entretanto, é permitida a prática de agricultura e o uso de fertilizantes nesta área, desde que sejam adotadas boas práticas agrícolas”.

O estudo, porém, não se restringe ao arcabouço legal de cada país. A pesquisa também procurou identificar práticas e políticas que contribuem para a conservação da biodiversidade.

O Brasil está bem à frente de outros países em termos de preservação ambiental e práticas agrícolas, de acordo com o estudo. Em comparação, os Estados Unidos, um dos maiores competidores em termos de exportações, não obrigam os produtores a respeitar áreas de proteção ambiental dentro de suas propriedades. Enquanto isso, países como a Alemanha, que têm uma legislação mais dura, ainda assim permitem a exploração comercial de APPs.

“Comparando a legislação florestal de diferentes países, concluímos que as leis brasileiras possuem um grau de proteção de vegetação bastante alto. É um elemento diferenciador de nossa produção que pode e deve ser explorado em negociações comerciais. Entretanto, para isso, é fundamental acelerar a implementação do novo Código Florestal”, disse Juliano Assunção, diretor executivo do CPI/ NAPC e professor do Departamento de Economia da PUC-Rio.

O estudo também aponta que, apesar do fato de que todos os países analisados têm leis de preservação ambiental, a proteção legal de áreas de preservação varia muito de acordo com o país.

“Uma legislação ambiental rigorosa, combinada com tecnologias que aumentem a produtividade e reduzam a demanda por superfície, além de políticas sustentáveis no campo, são fatores que contribuem para a melhora do agronegócio brasileiro”, afirma Roberto Jaguaribe, presidente da Apex-Brasil, instituição que apoiou o estudo junto à Sociedade Rural Brasileira. “Tudo isso, é claro, conta a favor da imagem do Brasil como exportador agrícola”